18 dez/14

Ney Matogrosso lança DVD de "Atento aos sinais"

postado por Diogo Branco

"O tempo é o meu lugar / O tempo é a minha casa / A casa é onde quero estar"
Através destes versos, o cantor Ney Matogrosso se situa em cena, na abertura de seu show. Atento e forte aos 73 anos, Ney registra agora em DVD o seu show que já percorre o país desde o ano passado.




Quem já assistiu Ney Matogrosso ao vivo sabe que não se trata de um simples show. Mais do que a performance e a voz do intérprete, há um imenso zelo e capricho notados em cada detalhe do espetáculo. Há beleza, cuidado, vivacidade.
Dirigido por Felipe Nepomuceno, "Atento aos Sinais" traz um Ney ligado na nova geração da música brasileira - como ele já se mostrou em outros trabalhos ao longo de sua carreira. Desta vez, ele traz para perto de si novos compositores como o Criolo (em "Freguês da meia-noite") e Dani Black ("Oração"). É um trabalho repleto de liberdades artísticas e efeitos. Segundo o próprio cantor, o cenário do show funciona como um personagem também, a história é enriquecida pelos diferentes detalhes exibidos em cada canção.




O CD "Atento aos sinais" está disponível nas principais plataformas digitais
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Diogo Branco é farofeiro e apaixonado por música.

18 dez/14

Beijos de hortelã

postado por Diogo Branco

Nada mais gostoso do que descobrir que você não é uma frigideira. Tudo bem, encontrar a tampa da sua panela pode parecer realmente uma missão impossível e talvez você até encha o peito para dizer que está bem vivendo sozinho. Mas aquela sensação do coração batendo mais forte, do arrepio causado pelo toque na sua pele...aquela voz sussurrando bem baixinho ao pé do seu ouvido, isso dá uma importância a nossa existência. Saber que o amor é possível torna os problemas cotidianos muito menores. Hoje peço licença para relatar a minha própria história. Há nove meses estou com meu coração batendo diferente, mais forte. E a cada mensagem de bom dia me sinto melhor. A cada abraço apertado de despedida, sinto uma emoção por ter conseguido encontrar alguém exatamente como pedi a Deus, com todas as qualidades e defeitos perfeitamente cabíveis a mim. Já sorrimos juntos, já choramos juntos, já discutimos, tomamos chuva, já quase congelamos com a neve caindo na nossa cara,  já torramos num sol escaldante...Já engordamos e emagrecemos juntos, já mudamos nosso penteado, já mudamos nossa forma de se vestir mudamos de emprego, de casa, de país. Atravessamos o oceano juntos. Ostentamos e também contamos moedinhas. Já sofremos pela ausência, ja sorrimos com o encontro... São 9 meses de episódios muito especiais. Viramos amantes e também melhores amigos. E eu devo te agradecer, Thiago, por ter me ensinado tanta coisa boa. Principalmente por me mostrar, diariamente, que o amor existe. Meu maior porto seguro. Eu te amo.


15 dez/14

Crítica do filme Boyhood por Mateus Barbassa

postado por Mateus Barbassa



“És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo, tempo, tempo, tempo...”

O filme “Boyhood” do diretor Richard Linklater é uma experiência cinematográfica que busca esmiuçar a complexidade que é a vida humana, é um tratado sobre a relação tempo e espaço, indivíduo e sociedade. Tudo isso exposto da maneira mais simples possível, quase banal. E é justamente aí que reside toda a sua força.

Filmado com o mesmo elenco durante um período de doze anos, o diretor nos apresenta um relato contundente do rito de passagem de um garoto e consequentemente toda sua família.


Serei direto, o filme é um tremendo soco no estômago. Mas você nem percebe a pancada que está levando. Lógico que a fotografia é linda, a trilha é um achado e tudo o mais... No entanto, as entrelinhas são extremamente doloridas. Ao final do filme, fiquei me perguntando: Haverá algum espaço para que alguma espécie de humanidade real floresça? Ou tudo será essa eterna repetição de valores fajutos, essa cópia sem fim, essa ordem sem nenhum progresso realmente humano? Afinal, pra que existimos? Para consumir, tão somente? Sei lá... O que mais me pegou foi ver o estrago que os pais, os familiares, os professores e a sociedade em geral fazem na cabeça de Masom e nos outros como ele. Existe alguma alternativa possível a não ser repetir os mesmos padrões dos pais? Estudar, trabalhar, casar, ter filhos... Tão pouco... Todos os adultos parecem tão infelizes, tão frustrados e mesmo assim obrigam seus filhos dia após dia a abandonar seus sonhos, objetivos e ideais em troca de segurança financeira, de status social... Os personagens conversam amenidades, passam algum tempo estudando para a faculdade, mas algo está desmoronando e eles não se dão conta... Mason é diferente, possui uma chama, um lampejo criativo, mas que pouco a pouco vai se transformando em silêncio, introspecção, rebeldia. Algo parecido ocorre com seu pai; que ao longo dos anos deixa de ser um cara libertário para se transformar num homem religioso, sério e pai de família. Tal pai, tal filho. Será?


E isso é o aspecto mais doloroso de toda a obra. Não há amor, só obrigações. E a tristeza impera, porque não há compreensão, só dor e mentira.  Até mesmo a preocupação da mãe de Mason é mentirosa. No fundo, ela está preocupada somente com ela, com seu futuro.

Todos os personagens sem exceção ou são ou se transformam ao longo do tempo em pessoas tristes, angustiadas, cínicas. Mason ainda não. Mas ele resistirá quanto tempo? Quanto tempo durará a insatisfação criativa dele? 



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Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.

08 dez/14

Crítica do filme "Felicidade" por Mateus Barbassa

postado por Mateus Barbassa

Perder tudo. Não restar nada da antiga vida. Reinventar-se forçosamente. Essas sentenças os protagonistas do filme alemão “Glück” conhecem muitíssimo bem. 



Quando o filme começa, Irina é uma adolescente normal, vive com os pais num lugar bucólico, cercada por animais e felicidade. Mas esse clima logo é interrompido pela guerra. Os pais dela são mortos, e ela é estuprada. A felicidade acaba. Nada lhe pertence mais. Nada. Ela foge. E no meio da floresta, encontra um veado e é impossível não lembrar de um quadro da Frida Kahlo intitulado “O Veado Ferido”. É uma linda cena e a metáfora que ela apresenta perseguirá ao longo do filme. Irina foge pra Berlim. O que lhe resta? O que ela pode fazer? Ela se torna prostituta. Seu corpo já não mais lhe pertencia mesmo. A Berlim que Irina encontra é absolutamente capitalista, marcas famosas pululam pelas cenas o tempo todo. O fim de uma era e começo de outra? Ou o fim por si só? A decadência do consumismo. Tudo tem seu preço. Irina aprende a lição rapidinho. Mas ela tem algo que a diferencia dos demais. Irina é boa. Não boazinha, tolinha. Mas, boa. Reconhece sua própria humanidade e falência no outro. É assim que ela encontra Kalle, um punk que vive nas ruas com seu cachorro com nome de poeta (Byron). Irina se reconhece nele. São dois párias. E pouco a pouco, surge uma relação de amor entre ambos. Não algo forçado ou apelativo. Não. Algo despretensioso. Quase pueril. Com a convivência, a relação torna-se bastante complexa. Os medos. Carências. Falam mais alto. E tudo parece que vai degringolar. Irina não desiste tão fácil. Ela tem fé. Mesmo que seja uma espécie de fuga, essa fé segura-a. E eles vão reconstruindo-se um através do outro. Reconstroem-se juntos. Através do amor. Se auto-afirmam através dessa nova identidade. E juntos mantêm certo olhar inocente para a vida. O que acaba salvando-os. Mas também os perdendo. Não entrarei em detalhes do que se sucede do meio pro final, porque acredito que o impacto deve ser individual. Mas o filme lida o tempo todo com as três energias vitais do universo: 

CRIAÇÃO
MANUTENÇÃO
DESTRUIÇÃO




Nada é definitivo. Tudo é mutável. Cambiante. Mas aquilo que você traz dentro de si, isso é eterno. E o mais bonito é ver que, apesar de todas as dificuldades, aqueles dois seres não abrem de si mesmo, do amor. E para atingir isso, jogam fora, suas inseguranças, dores, medos, ciúmes. E confiam. Sobretudo em si mesmos. Confiança cega. Inocente. Irina é uma prostituta. Mas não vende, nem compra amor. Kalle, um mendigo, que não tem nada de seu, não pede nada em troca de seu amor. Eis, a absurda contradição apresentada pelo filme!!! 



Irina e Kalle não são. Irina e Kalle se inventam. E isso é poderoso. Poucos têm essa mesma coragem/disposição. São rebeldes. Cada um a sua maneira. Não forçam barra. Não levantam bandeiras. Ou se levantam, é como se fosse uma investigação do próprio medo que os moveu. É um filme lindo! Com uma cena deslumbrante ao som de “Ne me quitte pas” na voz de Nina Simone. Uma das mais lindas/ternas/doloridas da história do cinema. 
Paro por aqui. Destacando o trabalho brilhante da direção e dos atores, sobretudo Alba Rohrwacher. Que atriz!






Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.

04 dez/14

Carminho e Marisa Monte

postado por Diogo Branco

Carminho, cantora lusitana apaixonada pelo Brasil, traz em seu novo CD parcerias com Marisa Monte e Caetano Veloso.



Já lançado em Portugal e previsto para chegar ao Brasil no primeiro trimestre de 2015, o álbum Canto carimba o forte elo entre a cantora e a música brasileira. Em duas faixas, a cantora mescla seu tradicional e marcante fado com vozes e timbres já laureados no Brasil.
Em uma das músicas, Chuva no Mar, há participação de Marisa Monte, e em O Sol, Eu e Tu, há parceria inédita de Caetano Veloso com seu filho Tom Veloso, tudo sempre envolvido pela voz marcante de Carminho. Caetano chegou a postar um vídeo, ainda esta semana, do ensaio entre a cantora e a família Veloso em suas redes sociais.
"Não é lindo demais ter essa primeira composição de pai e filho justamente no meu disco?" disse a cantora, orgulhosa.

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Diogo Branco é farofeiro e apaixonado por música.

01 dez/14

Crítica do filme "Antes da meia-noite", por Mateus Barbassa

postado por Mateus Barbassa


O tempo. Sempre o tempo. O humano. Sempre o humano.
É da correlação entre esses dois temas que sempre conversamos. Neles estão contidos toda a humanidade. Não. Não somos apenas fruto de nossa época. Não. Somos mais. Somos além. E também somos antes. Antes do quê?
Antes do amanhecer. Antes do por do sol. Antes da meia noite
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Sim. Sempre antes. Na verdade, a trilogia sempre jogou na nossa cara tudo isso. Estava tudo ali. Explícito. Nas conversas. Nos olhares. Nas indecisões. Nas brigas. Em tudo reverberava a questão temporal e de personalidade. Tudo é contra. Tudo está sempre contra. Sempre. E é uma luta. Sempre. Construir algo é sempre uma guerra. Prazer e Dor. Quase sempre. Alguma pitada de dúvida também. Não fugimos muito disso. Não conseguimos. O tempo devora tudo. Nos consome. E raramente temos tempo pra gente. Nossas personalidades moldadas por anos e anos de fracasso emocional desembocam sempre numa solidão a dois, a três, a quatro. Não compreendemos nem a nós mesmo, quanto mais um outro... tão ou mais complicado que nós ... Alguém tem que ceder. Sim. Sempre. Alguém tem que ceder para que algo cresça. Sem isso, estagnamos em nós mesmos. É um acordo. Tácito. Mas ainda um acordo. Sempre foi assim. Sempre será? Não sabemos. 



Não há outra alternativa a não ser pagar o preço. Escolher é sempre isso. Perder. Daí que a vida dos humanos é sempre uma perda. Mas, também um ganho. Depende do ponto de vista. Ou da aposta correta. Como apostar a ficha corretamente e ganhar o grande prêmio da felicidade eterna? Resposta: Tentando. Errando. Indo. Só existe essa possibilidade. E é claro que a frustração uma hora ou outra virá com seu sussurro infernal nos dizendo: "E se você tivesse escolhido outro cara, outra coisa, outro emprego, outro amigo". E aí, o que acontece? MERDA. PANE. CHORO. RANGER DE DENTES.

E se toda minha vida foi um erro, um equivoco, um engodo? E se...
Pensou. Perdeu.
Não é assim?



O fato é que nunca teremos certezas. De nada. Nadinha.
Somos uns perdidos. Egoístas. Histéricos. Inseguros. Carentes. Culpados.
Mas ainda assim tentamos. Queremos acreditar. Em quê? Não importa muito. Queremos. E é esse querer por algo que não sabemos bem o que é (mistura dos contos de fadas, dos que nossos pais nos disseram, das novelas, dos filmes, das músicas românticas) que nos move.
Da máquina que nos move sabemos pouquíssimo. Da engrenagem sabemos um pouquinho mais. Mas ainda assim é muito pouco. Só o necessário para conviver em sociedade. Um tantinho de nada. Que nos agarramos feitos doidos. E o mais engraçado (ou contraditório) disso tudo é que acreditamos que sabemos. Acreditamos que estamos no controle. Acreditamos que amamos.
No fundo é essa necessidade de acreditar que nos torna tão humanos.
No fundo só vivemos mesmo no tempo anterior a algo ou alguma coisa.
Vivemos de lembranças. Vivemos de expectativas. E só.
No fundo, antes de morrer, nós vivemos.
E é isso.
No fundo, toda a humanidade de todos os tempos vivem em Jesse e Celine.


 

Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.