29 set/14

SARACOTEANDO

postado por Mateus Barbassa


A Coluna Social do Farofa
por Mateus Barbassa
 
 
Na última quarta-feira, dia 24 de setembro, a loja Schutz Iguatemi comemorou o seu primeiro ano em Ribeirão Preto. O ator e cantor Chay Suede participou das comemorações. O Farofa Cultural esteve por lá e com esse evento damos início a uma nova maneira de abordar o colunismo social aqui na cidade. Não nos interessa competir com as abordagens do tema que já são feitas por profissionais altamente gabaritados. Nossa intenção é um olhar jovem, intelectual e divertido sobre o universo da moda. Além de fotos que fujam do já padronizado pelas revistas e colunas sociais, pretendemos repercutir alguns temas inerentes ao assunto com pequenas entrevistas com os fotografados, além de contar com o olhar profissional da personal stylist e produtora de moda, Vânia Benvenuto e também com comentários da jornalista Lílian Marcelino (que assina o blog “Acessorizesse!”) sobre o “In/Out” do momento.

Nessa coluna, o diretor, ator de teatro e booker da agência R.office Models, Mateus Barbassa é o responsável pelas entrevistas e comentários filosóficos sobre o universo da moda. Leitor voraz de livros de pensadores como o polonês Zigmunt Bauman e o francês Jean Baudrillard, que possuem pontos de vistas bastante interessantes sobre a moda e a indústria da moda, ele conversou com algumas personalidades sobre o assunto e repercutiu também sobre a fetichização do sapato na sociedade contemporânea.



Bauman inspirado pelo sociólogo alemão Georg Simmel acredita que a moda está sempre “se fazendo”, num quase moto-contínuo. Segundo ele, a moda não pode ficar no mesmo lugar, deve ser perpetuamente renegociada: “Mobilizada pelo impulso competitivo, a busca do que está na moda induz depressa a que se construam símbolos banais e comuns de distinção, de modo que o mais breve momento de desatenção logo gera o efeito contrário: a perda da individualidade”. Segundo ele, seria preciso arranjar novos símbolos: os de ontem deveriam ser ostensivamente descartados. Já pra Baudrillard, a moda nos seduz porque somos criaturas ávidas de imagens e ao mesmo tempo somos também iconoclastas. Segundo seu pensamento, moda seria então, sempre o vestígio de algo que desapareceu ou desaparecerá. Fica então a pergunta: MODA É ARTE?

Para a esmagadora opinião dos presentes na comemoração de um ano da Loja Schutz sim. Segundo a empresária Marcela Bernades Paskualim “A arte só acontece na moda quando se tem conhecimento e uma visão além”. Quando perguntada sobre alguém que personificaria esse seu pensamento, ela não teve nenhuma dúvida: a cantora Lady Gaga e suas roupas e performances provocativas. Já a consultora de moda Paula Blini Azevedo, arte só é moda quando é expressão de originalidade e humor. Para ela, os exemplos máximos seriam as estampas da estilista paranaense Adriana Barra e o estilo original da it-girl Olívia Palermo. A top brasileira Gisele Bündchen foi a escolha da empresária Milena Del Arco, segundo ela, por possuir um estilo absolutamente pessoal. Já a empresária e blogueira Sol Moraes, moda torna-se arte quando revela atitude, bom humor dentro do cotidiano. Para a amiga de Sol, a blogueira Alessandra Miranda, “Moda é arte, é comportamento, é vida, beleza”. Quando perguntada sobre uma pessoa que personificaria tudo isso, achou difícil identificar alguém. No final citou a supermodelo brasileira Alessandra Ambrósio. A blogueira Mel Cândido disse que “moda é arte quando reflete aquilo que temos dentro da nossa cabeça. Quando personifica a nós mesmos”. E citou como exemplos Glória Coelho e o estilista John Galliano. Um outro estilista foi a escolha de Érica Moria Rodrigues. Segundo ela, cada estilista que mostra sua moda reflete um pensamento sobre a utilização dos tecidos e dos mecanismos de produção. Karl Lagerfeld foi sua escolha. Valentino, Coco Channel e Christian Louboutin foram citados pela advogada Adriana Junqueira. 
 
Aproveitando que estávamos num evento numa loja de sapatos, espécie de fetiche e idealização de grande parte das mulheres, o Farofa Cultural quis saber: POR QUE AS MULHERES AMAM SAPATOS?

Seria culpa do sapatinho de cristal da personagem Cinderela? Ou da personagem Carrie do seriado “Sex and the City”? Ou seguindo os pensamentos de Adorno e Hegel essa fascinação feminina é apenas o resultado dos excessos da indústria cultural, responsável por criar o ambiente propício para que o desejo surja. Numa entrevista recente, o “arquiteto dos pés” Fernando Pires disse o seguinte:

“Eu acho que a grande culpada é a Cinderela com seu sapatinho de cristal. Porque para o homem não tem nenhuma historinha infantil que bote na cabeça do menino, que sapato é o máximo. A menina já tem o sapatinho de cristal, a Cinderela, o príncipe, toda essa coisa que já fica. Ela vira mulher e não esquece nunca mais. Além claro, que toda mulher sabe que em cima de um salto alto ela vai ter um caminhar muito mais bonito. O salto tem uma conotação de poder, aquela coisa de tirar o salto e bater na mesa. E mais ainda: como é uma arma poderosa, os homens amam salto alto, até mais que as mulheres. Eles não resistem a uma mulher em cima de um salto.”

Quando perguntada sobre isso, a blogueira Mili Pavan arregalou os olhos, fez uma expressão de surpresa e ficou alguns segundos em silêncio. Depois disse que acreditava não existir uma motivação especifica. A empresária Maria José Gerardi foi direta. Afirmou que todas as mulheres são centopéias. Quando perguntada sobre a quantidade de sapatos que teria em seu closet, ela afirmou “50 pares...” após uma pausa, rindo, concluiu “50 pares de verão”. Para Paula Blini, essa fixação feminina se dá porque um sapato consegue mudar qualquer produção e dependendo da situação pode até mesmo mudar o humor de uma mulher. A blogueira Mel Cândido foi a responsável pela resposta mais direta e engraçada. “É MAIS FORTE DO QUE NÓS. É COMPULSIVO. NÃO TEM EXPLICAÇÃO”.
 
 Abaixo, você confere as fotos do evento. Essas fotos foram tiradas dentro da seguinte proposta: Foi entregue uma máquina fotográfica nas mãos de cada pessoa. Elas mesmas seriam as responsáveis pelo clique. Algumas tiraram selfie’s, outras aproveitaram o espelho da loja e teve aquelas que foram mais espertas e pediram ajuda para os freqüentadores da loja.





O ator e cantor Chay Sued tocou, cantou e encantou...




As empresárias Marcela Bernades Paskualim e Maria José Gerardi fizeram várias selfies até se decidirem por essa...




A consultora de moda Paula Blini Azevedo quis tirar uma foto com as vendedoras da loja.






As blogueiras Mili Pavan e Mel Cândido e a empresária Milena Del Arco pediram ajuda para um amigo e lançaram moda ao tirar fotos com os balões da loja. Depois delas, todo mundo imitou...




As amigas Érica Moria Rodrigues e Ana Junqueira adoraram a ideia e tiraram uma foto no espelho da loja.




A sapeca Maria Paulo Loreto agarrou um amigo e tirou várias e várias selfies com ele ...




A ESCOLHA DA ESPECIALISTA


Vânia Benvenuto é personal stylist, formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina. Trabalhou no SPFW durante duas temporadas e com grandes nomes e empresas da moda como Fause Haten, Melissa, Le Lis Blanc, Bobstore, Brooksfield, Karlla Girotto, Cia Paulista de Moda e Richards. Também assinou duas coleções para marca Ópia e o figurino da banda francesa Nouvelle Vague para a festa de 20 anos da Revista Marie Claire.


Vânia Benvenuto escolheu os look’s da empresária/blogueira Sol Moraes e da Alessandra Miranda para comentar.
Abaixo você confere o que ela achou da produção das duas.



Sol Moraes fugiu do óbvio com esse combo t-shirt divertida + blazer colorido + saia plissada, que deixaram o look cheio de bossa e super moderno.

Alessandra arrasou ao escolher um vestido com detalhes geométricos e estampa artsy, que está super em alta. A sandália colorida e o detalhe em renda na barra fizeram toda a diferença.




ACESSORIZE-SE
por Lilian Marcelino







Tenis para looks cheios de charme

Pode soar clichê, mas os tênis saíram diretamente do limbo e das academias para as ruas no melhor do street style. Deixaram de ser peças exclusivas da malhação e são protagonistas de produções super fashionistas e cheias de estilo. Coloridos, mais sóbrios, retros ou modernos, eles chegaram para ficar (eu adoro!).





A vibe é ser divertida

E para quem curte, as Semanas de Moda são sempre um prato cheio, mas o que os fotógrafos clicam nas ruas é que se tornam regra, é o street style de fashionistas vindas de todas os cantos do globo que dizem o que está na moda agora. E a vibe são acessórios cheios de personalidade e com uma pegada mais divertida. Afinal, para que ser sério o tempo todo não é mesmo?


Lílian Marcelino é jornalista e curiosa. Com formação em educação e eventos, a moda é o que enche o olhar de brilho e inspira.  A moda com pensamento é o  que mais interessa, afinal também é cultura, história, uniforme, prazer...
www.acessorizesse.com

25 set/14

Tiê e seu terceiro disco, "Esmeraldas"

postado por Diogo Branco

Todos nós temos uma vida formada por vários períodos de mudança e transformação. As crises aparecem ao longo de nossas vidas, nos tiram da zona de conforto e despertam a criatividade. Para inúmeros artistas, estes períodos são vistos com bons olhos.


A cantora paulistana Tiê soube colher bons frutos numa fase em que ela chamou de "caos".
"A pressão da gravadora era muito grande.Perguntei se podia ser um disco de interpretação, até cheguei a cogitar, porque estava meio zerada. Mas insistiam em composições minhas, e eu pedi para esperar, ou então que me espremessem pra ver se saía alguma coisa", recorda a cantora em inúmeras entrevistas.
Tiê lança agora "Esmeraldas", assumidamente nascido de uma crise, e gestado numa cidade mineira interiorana que dá nome ao disco.


Tão autobiográfico quanto os outros dois discos da cantora, "Esmeraldas" surge mais visceral aos olhos dos fãs.
Não que ela tenha perdido a ternura, mas este parece mais arrebatador, e mais completo. Mais instrumentos, mais arranjos, mais coragem.
"Fosse pra fazer algo menos que "bombástico", não faria", garante a cantora.
Neste novo trabalho, ela renova sua sonoridade com a abertura de parcerias com nomes como Adriano Cintra, André Whoong, e David Byrne (conceituado artista escocês). Há também a participação de Guilherme Arantes tocando piano numa das faixas ,a pop "Máquina de Lavar". Esta canção é uma das mais empolgadas do disco, e foi inspirada numa fase em que Tiê cuidou sozinha das filhas pequenas e das tarefas domésticas.

"Sem ajudante, marido e filhos em casa. Quase fiquei louca, batendo a roupa na máquina. Me serviu de inspiração".


Gravado pela Warner, "Esmeraldas" contém 12 faixas que funcionam como unidade. Há uma singularidade entre a maioria das canções, talvez nascida da onipresença de André Whoong na ficha técnica do disco. Os arranjos estão bem trabalhados, e seu envolvimento com uma banda completa é nítido e interessante.






Diogo Branco é farofeiro e apaixonado por música.

22 set/14

Crítica do filme "Corações Livres" por Mateus Barbassa

postado por Mateus Barbassa

Nós simplesmente fomos azarados ou CORAÇÕES LIVRES 

Susanne Bier, diretora dinamarquesa, dirigiu seu primeiro filme em 2002. Este filme chama-se "Elsker Dig for Evigt" [traduzido para o português como “Corações Livres”] e ganhou o certificado de um legítimo “Dogma 95”. Movimento cinematográfico fundado por Lars Von Trier e Thomas Vinterberg que criava certas regras para a criação de um filme um cinema autoral e diferente do que era (e ainda é) produzido em Hollywood.
Para garantir o selo de “Dogma 95” era necessário seguir 10 mandamentos:

  1. As filmagens devem ser feitas em locações. Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).
  2. O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá ser utilizada a menos que ressoe no local onde se filma a cena).
  3. A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos - ou a imobilidade - devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve ser feito onde a câmera está colocada; são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).
  4. O filme deve ser em cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há muito pouca luz, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera).
  5. São proibidos os truques fotográficos e filtros.
  6. O filme não deve conter nenhuma ação "superficial". (Homicídios, Armas, etc. não podem ocorrer).
  7. São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (O filme se desenvolve em tempo real).
  8. São inaceitáveis os filmes de gênero.
  9. O filme final deve ser transferido para cópia em 35mm padrão, com formato de tela 4:3. Originalmente, o regulamento exigia que o filme deveria ser filmado em 35 mm, mas a regra foi abrandada para permitir a realização de produções de baixo orçamento.
  10. O nome do diretor não deve figurar nos créditos.
Muito bons filmes foram produzidos por esse movimento. Cito de cabeça uns três que são excelentes: “Festa de Família”, “Os Idiotas” e “Julien Donkey Boy”.
"Elsker Dig for Evigt" é mais um que entra nessa lista.


A diretora Susanne Bier é uma mestra do cinema melodramático, seus filmes quase sempre giram em torno de grandes tragédias e de reviravoltas aparentemente mirabolantes. Mas, seu estilo único e preciso impede que seus filmes pareçam novelas produzidas pela Rede Globo. O enredo não é muito diferente do que passa na televisão, o que diferencia Susanne Bier de uma estética famigerada é sua visão de mundo. Seus filmes e posso falar especialmente de outros dois que já assisti (“Brother” e “Depois do Casamento”) são dois ótimos exemplos de um cinema que trata o espectador com inteligência.
Seus personagens estão sempre tendo que lidar com grandes tragédias ou acontecimentos que os tirem de uma suposta normalidade.
Em "Elsker Dig for Evigt" acompanhamos a história de Cecilie, uma jovem de 20 e poucos anos, que não tem pais e é apaixonada por Joachim, A primeira cena mostra o casal num restaurante. Estão felizes. Ele a pede em casamento. Ela aceita. Próxima cena: Cecilie está preocupada, pois Joachim terá que viajar a trabalho para um lugar aparentemente perigoso. Ele tenta convencê-la de que não há nenhum perigo. Próxima cena: Os dois estão dentro do carro. Estão se despedindo. Na hora em que ele sai do carro, é abruptamente atropelado por um carro. A cena é densa e espetacularmente filmada por Susanne Bier. Sem arroubos dramáticos, a cena é mostrada com uma sutileza admirável. Pronto, está posto o drama de Cecilie.


Joachim é levado ao hospital. O marido da Mulher (Marie) que o atropelou é médico. Joachim não poderá mais andar, nunca mais. Cecilie diz que ainda quer viver com ele. Joachim não aceita e pede que ela nunca mais o visite. Cecilie completamente perturbada vê nos braços do médico Niels, um possível consolo. Juntos iniciam um caso. Pronto, cinema de Susane Bier na veia e em alta voltagem. Cheios de reviravoltas e climas preciosos, Bier também se destaca por ser uma exímia diretora de atores. O que poderia soar superficial, ela consegue transformar em dúvida genuína. Seus personagens apresentam uma densidade quase palpável. São personagens em trânsito. Em choque por acontecimentos inesperados. Nem os filhos de Marie e Niels se salvam do imponderável. A filha adolescente foi abandonada pelo namorado e os filhos menores apesar de não terem idade para entender o que está acontecendo com sua família, sofrem junto com os pais. Susanne Bier vai pouco a pouco tecendo sua teia e de repente nós (espectadores) estamos completamente enredados. Seu cinema é tão bom, que assim como os personagens também ficamos em dúvida e também nos angustiamos. As situações propostas pela diretora poderiam ocorrer com qualquer um de nós. No entanto, acontece com aqueles quatro personagens e esse distanciamento assumido através de uma direção quase fria, evidencia o caráter trágico da existência humana. Sim. O cinema de Susanne Bier é humano, demasiado humano.


"Nós simplesmente fomos azarados", frase dita lá pelo final do filme define tudo. O filme e a própria condição humana.



Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema.

 

18 set/14

O legado Leminski na MPB.

postado por Diogo Branco

"Téo amava Estrela 
Que amava Paulo
Que amava Alice(...)"


Ela, uma jovem cantora curitibana com um poderoso sobrenome.
Ele, um jovem e talentosíssimo multi-instrumentista.
Apaixonados por música, apaixonados por literatura e apaixonados entre si.

Juntos, lançam agora um CD com idéditas do pai dela...
Há muita paixão nesse novo trabalho, que é fruto de um boníssimo encontro de família


Estrela Leminski nunca usou a obra do seu pai, o consagrado poeta Paulo Leminski, tão diretamente quanto agora.
Com seu novo disco, Leminskanções, a cantora pretende mostrar ao público que antes de poeta, Leminski era compositor. Ao lado de seu marido Téo, Estrela demonstra neste novo trabalho a segurança de uma cantora que sabe o que quer, e onde quer chegar.Refletida em cada nota cantada, tal segurança talvez seja fruto da incontestável obra de seu pai. Há também uma forte influência de Alice Ruiz, poetisa e mãe de Estrela.



O álbum quase teve um nome muito curioso.
Era pra se chamar “Verdura Não é de Caetano”, e só muito tempo depois ele foi nomeado “Leminskanções”. Isso porque, segundo Estrela, é comum as pessoas adorarem a canção “Verdura”, atribuindo a autoria a Caetano, que gravou a faixa no disco “Outras Palavras” em 1981.  Com o título atual, a intérprete enfrenta um novo desafio: Explicar às pessoas que trata-se de um álbum cujas músicas não são feitas apenas dos poemas de Paulo Leminski. Ele era também compositor. Cantava o tempo todo e gravava suas composições para mostrar aos parceiros. A maior parte desses registros foi levada num assalto enquanto a família do poeta ainda morava em São Paulo, mas restaram algumas preciosidades, como a divertida e caipira faixa “Nóis Fumo” (primeira parceria de Leminski com sua esposa Alice), e Adão (gravada posteriormente por Moraes Moreira).

No decorrer do disco, somos surpreendidos na faixa “A você, Amigo”, onde Estrela vai aos prantos.
É notória ali a dificuldade de tentar driblar as emoções geradas pelas lembranças familiares. A cantora teve de lidar com isso durante a gravação, e em alguns casos ela se fechava e passava o resto do dia sem falar com ninguém. Bastava, por exemplo, referenciar o The Police em alguma música.
Outras boas surpresas o álbum nos traz: Participações especiais de Arnaldo Antunes (em Não Mexa Comigo), Zélia Duncan (Sinais de Haicais), e Zeca Baleiro (em Se Houver Céu).


As músicas ficam disponíveis para download grátis no site www.leminski.com.br e o álbum é também encontrado na íntegra no próprio canal de Estrela, no Youtube (abaixo).Além do lançamento virtual, e do recém-lançado álbum físico, uma versão em vinil e um songbook estão previstos para dezembro.

 


Diogo Branco é farofeiro e apaixonado por música

15 set/14

Crítica de "O doador de Memórias" por Mateus Barbassa

postado por Mateus Barbassa




“E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”
 
O homem, essa criatura errática que habita a terra, sempre foi considerado um estrangeiro para si mesmo. Alguém sem um lugar no mundo, perdido, condenado a própria liberdade. Buscando algum tipo de reconhecimento. Um fiapo de amor. Algo que solape aquela sensação de vazio. Somos assim. Sentimos medo. Somos competitivos. Temos inúmeras dúvidas. Sofremos. Mas existe um outro lado também: o instante da alegria, a epifania da felicidade, a dança, a música, a sensação de enraizamento que o estado amoroso nos proporciona. Então, ficam as perguntas: Seria possível habitar uma realidade onde esses sentimentos pudessem existir separados? Um mundo sem tristeza, poderia conhecer a alegria? Ou a vida só tem valor enquanto totalidade? Onde cada momento tenha em si sua própria completude? Alguém pode ser livre sem compreender e aceitar as causas que fizeram de nós quem somos e do mundo que vivemos o que ele é?
 
É disso que se trata “O Doador de Memórias”, adaptação cinematográfica do livro Lois Lowry. Numa sociedade do futuro, a humanidade habita um lugar onde todos são iguais (casas, roupas, equipamentos, comidas) e sentimentos como dor, inveja e tristeza não mais existem. Todos vivem numa rotina pacata e cheia de regras. Não conhecem nada do passado. Nem entram em contato com emoções mais fortes. Aparentemente estão satisfeitos. Até que Jonas é escolhido para ser aquele que provará da árvore do conhecimento do bem e do mal. Sua incumbência é carregar toda a história pregressa da humanidade e aconselhar os Anciãos quando preciso. Jonas é um garoto que sente mais que os outros, que vê além e que se sente deslocado daquele mundo perfeito. Jonas precisará passar por um treinamento difícil para que as coisas possam permanecer como são. Sim. Estamos diante de um distopia.


 
A partir daí duas forças começam a habitar o jovem Jonas; a primeira é o dever, a responsabilidade que ele tem para com o futuro daquelas pessoas, daquele lugar e a segunda é a incompreensão, a dúvida. Ao tomar contato com o passado da humanidade, Jonas se encanta com as cores, com os sons, para logo depois se chocar com as guerras, perdas, ganância e a morte. Sim. Ele provou do fruto proibido. Agora já é tarde demais. Jonas terá então que se decidir, se mantêm as coisas como estão ou se rebela e mostra aos outros humanos o Universo magnífico de cores, sensações que teve acesso. Sobre suas costas e do personagem do velho Doador pesam a desistência anos atrás de uma garota que também esteve diante da mesma cilada. Não há espaço para erros. O filme se mantém diante dessa ambivalência até que Jonas se decide e torna-se um rebelde, um dissidente, alguém que viu e ouviu demais e não mais poderá retornar para a mesmice de sua civilização.

Na verdade o que Jonas descobre é que toda sua vida é uma grande farsa e que existe um mundo maravilhoso e plural ao seu alcance, mas que escolhas erradas dos humanos levaram todos a uma espécie de colapso e uma nova realidade foi forjada para dar conta dessa possível existência. Neste ponto, o filme se assemelha demais a “A Vila” de M. Night Shyamalan, pois ambos falam sobre uma sociedade “perfeita” onde tudo será possível novamente, como escreve o sociólogo Zigmunt Bauman no prefácio do livro “Modernidade Líquida”: “a tarefa dos indivíduos livres era usar sua nova liberdade para encontrar o nicho apropriado e ali se acomodar e adaptar: seguindo fielmente as regras e modos de condutas identificados como corretos e apropriados para aquele lugar”. Em suma, trocar uma velha gaiola por uma nova, ainda mais cínica e perigosa que a primeira, pois esta não é determinada por escolhas e decisões individuais. Tudo já está dado. Nada pode ser questionado. Um tipo de sociedade doentia que não mais reconhece nenhuma alternativa para si mesma, exceto a tirania. Jonas percebe então que o problema da sociedade onde vive reside no fato dela ter se sentido absolvida do dever de examinar, questionar a validade das coisas dadas como certa. Queremos tudo pronto e evitamos qualquer tipo de comprometimento maior com os outros. Tomamos remédios para fugir da tristeza, sem termos consciência de que ela é uma experiência muito enriquecedora. Queremos ser amados, sem qualquer possibilidade de retribuição. Queremos ser livres, sem nos responsabilizarmos pelos nossos atos. E assim prosseguimos nos iludindo e enganando a nós mesmos e aos outros.



“Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida”... esse trecho da escritora Clarice Lispector exemplifica perfeitamente a conduta da humanidade até aqui. Jonas não aceita; ele quer o terreno. Ele quer exercer sua revolta e seu amor e isso é o aspecto mais belo de todo o filme. O filósofo Albert Camus no ensaio “O Mito de Sísifo” retrata o ser - humano diante desse vazio da existência, para efeito de analogia se utiliza do personagem da mitologia grega que foi condenado a subir uma enorme pedra até o alto de uma montanha e toda vez que lá chegava, a pedra rolava novamente para baixo. Seu trabalho consistia nisso. Um esforço absolutamente vazio e inútil que só ganhava significado quando exercido com revolta e com amor, do contrário o homem se tornaria um mero animal imolado no altar de algum deus ficcional.

O mais belo da trajetória de Jonas nessa busca pelo tempo perdido, é que ele não quer apenas o passado de volta, ele quer criar um novo futuro. Para isso, ele precisa tornar conhecido o passado e se revoltar contra ele.

Osho escreve que “o novo ser humano não é alguém vindo de outro planeta. O novo ser humano é você renovado, no silêncio do seu coração, nas profundezas da meditação, nos belos espaços do amor, nas canções de alegria, nas danças de êxtase, no amor a este planeta”.
 
Talvez seja esse o maior chamamento desse belíssimo filme. Recomendo!







Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema
 

11 set/14

Pitanga em Pé de Amora

postado por Diogo Branco



De repente, me vi apaixonado por uma banda. 
Foi no início desta semana, quando um amigo sugeriu que eu conhecesse a banda através de um vídeo do Youtube, e quando os primeiros acordes do CD "Pontes Para Si" me transportavam para outra realidade. Que gostoso encontrar música feita de maneira tão criativa e lapidada.
Desde então, tenho escutado enquanto tomo banho, enquanto respondo e-mails, enquanto leio jornal antes de dormir. Sempre com aquela sensação de "Como eu nunca tinha escutado isso antes???" E de onde vinha aquela sonoridade que conseguia passear por tantos ritmos brasileiros numa única canção?



A banda se chama "Pitanga em Pé de Amora", e é formada por jovens paulistas que se reuniram para resgatar um samba já perdido, ou algum ritmo brasileiro que nem sempre encontra lugar para existir: Angelo Ursini (saxofone, clarinete e flauta), Flora Poppovic (percussão), Daniel Altman (violão 7 cordas) Diego Casas (violão), e Gabriel Setubal (trompete e guitarra). Todos os integrantes emprestam suas vozes às canções, onde os arranjos e os timbres são um show à parte. O primeiro CD - que leva o mesmo nome da banda - foi lançado em 2011, onde predominavam canções de amor interpretadas de maneira leve e pueril. Neste segundo e recém lançado CD "Pontes Para Si", há um irresistivel "colorido mais contrastante" como sugere Gabriel.

Há um peso maior neste segundo CD. Mais instrumentos, mais técnica, mais sustentação. E está tudo impecável. 
Monica Salsamo, laureada intérprete da MPB, também participa de "Pontes para Si", tornando ainda mais apaixonante o trabalho da banda.


Passeando por ritmos como choro, frevo, samba e baião, os CDs do quinteto ficam disponíveis para download no site da banda (http://www.pitangaempedeamora.com.br e também no Youtube, como você pode conferir abaixo:




Diogo Branco é um farofeiro apaixonado por música.

08 set/14

Crítica do filme "Se eu ficar" por Mateus Barbassa

postado por Mateus Barbassa


 
 
“A vida é uma grande, uma gigantesca confusão. Mas essa é também a beleza dela. Seja qual for sua escolha, vai sair ganhando. Assim como também vai sair perdendo.”
 
O amor romântico nos proporciona uma poderosa sensação de enraizamento num mundo cada vez mais líquido. O amor romântico depois de um período de encantamento nos dá uma terrível sensação de insegurança, medo e vazio. Diante desse poderoso sentimento, homens e mulheres se ajoelham e se queixam dia após dia. Não foi sempre assim. O amor romântico é uma invenção relativamente nova. Enquanto a esmagadora maioria das ilusões contemporâneas caiu, o amor romântico parece ganhar cada vez mais e mais força. Sem um amor desses para chamar de seu, o mundo parece sem sentido.

Fiz esse pequeno prólogo para iniciar minha reflexão sobre o filme “Se eu ficar” que está em cartaz nos cinemas brasileiros. O filme conta a história de Mia , garota que se sente absolutamente deslocada mesmo dentro do ambiente familiar. Seus pais são roqueiros e permissivos, e ela se torna uma menina introspectiva e que ama música clássica. Quando criança se apaixona pelo som do violoncelo e será justamente essa paixão que chamará a atenção do igualmente roqueiro do colégio. Adam toca numa banda juvenil e derrete o coração das meninas. Mas ele só tem olhos para aquela garota que toca tão compenetradamente seu violoncelo nos intervalos. Mia também se sente encantada por ele, mas não tem coragem de chegar junto. Até que...

O filme se desenvolve em planos (presente e passado) e pode até parecer um daqueles filmes românticos que poderiam passar numa “Sessão da Tarde”, mas vai um pouco além. O fato é que Mia, seu irmão e seus pais sofrem um acidente de carro logo no começo do filme e todos ficam entre a vida e a morte. Num deslocamento parecido com o que acontece com a protagonista da obra “Vestido de Noiva” de Nelson Rodrigues, Mia consegue se ver no plano da realidade, ela acompanha tudo, mas ninguém a vê. Muitos taxam o filme de espírita, mas creio que essa não é a intenção da obra. A partir desse acidente acompanhamos em flashback as histórias daquela família e do amor entre Mia e Adam. É impossível falar sobre esses dois sem estabelecer uma relação com a história pessoal de ambos. Talvez seja impossível falar sobre alguém sem estabelecer esse tipo de relação. Mia é uma garota ingênua, insegura e solitária. Adam é um menino carente, igualmente inseguro e intempestivo. Sua relação familiar é quase inexistente, fora abandonado pela mãe, e esse abandono faz com que ele estabeleça uma relação de extrema dependência com Mia. E a garota por ter crescido num lar onde tudo era permitido, torna-se o oposto dos pais. Enquanto os pais esbanjam energia e vida, ela é quase apática e também vê nessa relação com Adam uma possível salvação para o vazio que sente. Lógico que essa relação está fadada a ter muitas brigas. Os dois são muito inseguros e imaturos e despejam um no outro tudo aquilo que não conseguiram nas outras relações com o mundo. E assim se limitam e cerceam a liberdade um do outro. Transformando a relação que começara de maneira bela em algo monstruoso. Somente quando o acidente acontece é que ambos se dão conta da merda que fizeram e ai poderá ser tarde demais.

O filme tem uma premissa bem interessante e uma excelente trilha sonora, as atuações são bem O.k. e o filme cumpre aquilo que promete: faz-nos chorar copiosamente em algumas seqüências. No final das contas, “Se eu ficar” não é nada mais que isso; um entretenimento que faz a gente pensar nas escolhas que temos feito ao longo da vida.

”Às vezes, você faz escolhas na vida e, às vezes, as escolhas fazem você.”
 


Mateus Barbassa é ator, diretor teatral e crítico de cinema
 




04 set/14

Banda do Mar lança seu primeiro disco

postado por Diogo Branco

Engana-se quem imagina um CD do casal Marcelo Camelo e Mallu Magalhães que não possa fugir do habitual ou do esperado.Com uma sonoridade otimista , descontraída e de acordes leves, a "Banda do Mar" (que além da presença do eterno ex-Los Hermanos e de sua amada Mallu, também explora os talentos do baterista português Fred Ferreira) surge como um trio de amigos fazendo música de qualidade. E brincando entre si.
Há um ano morando em Lisboa, o casal deixou temporariamente de lado suas carreiras solo e lá colheram todos os ingredientes necessários para que a banda surgisse. A amizade com o baterista, um dos ingredientes fundamentais, se firmou a ponto de se considerarem da mesma família. O hermano virou, inclusive, padrinho da filha de Fred. O elo, o carinho e o respeito entre o trio é facilmente detectável pelos ouvintes.



Gravado em Lisboa, o CD traz Mallu Magalhães nas guitarras e no violão, Camelo no baixo e Fred na bateria e na percussão. Há um toque de surf music dos anos 60 mesclado com rock nas canções propostas pelo trio, que manteve o mar como temática indissociável durante todo o disco.
Faixas como "Muitos chocolates" e "Me sinto ótima" aparecem com letras divertidas e lembram canções da Mallu que todos conhecem, e possivelmente atraia mais o seu público, enquanto  "Dia Clarear", uma das faixas mais marcantes do álbum, é uma lenta melodia que carimba o Camelo que está presente nos dois discos solos do cantor.Para conseguir fidelidade ao que é escutado nas gravações, a banda é um quinteto nos shows. Dois integrantes, o baixista Marcos Gerez (Hurtmold) e o guitarrista Gabriel Mayall (ex-Los Hermanos) conseguem reproduzir o resultado registrado no disco sem perder o clima amistoso. Eles também são velhos amigos."Nossa essência é muito semelhante" é o que afirma a cantora em algumas das dezenas de entrevistas por eles cedidas apenas nesta semana. "Apesar de termos estilos, escolhas e opiniões muitas vezes diferentes, temos em comum a nossa essência, notada em cada segundo do disco". 

A turnê da banda começa no dia 10 de Outubro em Porto Alegre (Auditório Araújo Viana), e logo desembarca para o Rio (para shows nos dias 11 e 12 no Circo Voador)








Diogo Branco é farofeiro e apaixonado por música.

01 set/14

Caio Castro no Farofa Cultural

postado por Diogo Branco

Na última quinta-feira (28) o ator global Caio Castro esteve em Ribeirão Preto para a inauguração da loja Milla Gomes, localizada no Ribeirão Shopping.
O Farofa Cultural esteve por lá e conversou com o ator, que esbanjou simpatia numa entrevista exclusiva realizada por Mateus Barbassa.

Filmagens: Francielly Flamarini